CARTA ABERTA PARA A VIRGEM MARIA
- Marcella Azevedo

- 16 de abr. de 2023
- 3 min de leitura

“Tarde te amei”, minha Santa Imaculada Mãe!
Enquanto peregrinava em busca de permanecer no caminho da perfeição, eu não te reconhecia. Entre tantos atalhos incertos neste caminho, eu decidi me aventurar, pois me conformar a Cristo era o meu princípio e fim último de vida. Eu conheci a Eva que viu o fruto proibido e o tomou para o seu próprio proveito (Gênesis 3); mergulhei na História e Lei relatada na Torá ao qual me apresentou a Arca da Aliança (Êxodo 25); ouvi falar da mulher prometida pelos profetas, a citar por exemplo, Balãao que profetizou que uma estrela sairia de Jacó e ela venceria os inimigos (Números 24); meditei nas palavras de Davi quando ele interrogou “quem me conduzirá à cidade difícil? (Salmos 59:11); e, também tomei conhecimento da Rainha revestida de sol cuja descendência travará a luta contra o Dragão (Apocalipse 12).
É, eu estudei a história da salvação. Eu estudei a Sua história e lá tu estavas nas entrelinhas, minha Bendita Imaculada Mãe. Tu que fostes a porta pela qual o nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para trazer a salvação segundo o desígnio do Pai e que hoje me concede a oportunidade de estar aqui pela graça. Tudo porque você aceitou ser a Mãe do Verbo Eterno. Mas eu não te notava. Em cada passo dado nestes atalhos, eu passava por ti, mas a minha ignorância me impedia de te olhar. Ó Minha Santa Mãe, “tarde te amei”! A sua exímia paciência te fez me esperar; a sua singular fé te fez crer que eu a encontraria; a sua doce piedade te tornou participante das minhas aflições; a sua perseverança absoluta não te deixou desistir de mim. És acima de tudo, a imitadora do teu Filho e do teu Deus. Ora, que mente discerniria, que língua falaria, que voz entoaria a beleza e incalculável miríade de graças que manifestastes por nós pobres seres humanos?
Logo, o que posso eu dizer a Senhora, Rainha do Céu? Mais uma vez só posso dizer, “tarde te amei”.
O sim que eu dei a Cristo em adoração e que me leva a esvaziar-se de mim e dar espaço para Ele preencher, agora, eu o te dou, mas um sim de veneração, como as árvores do Monte das Oliveiras que se inclinaram na direção da terra para te venerar (Isaías 55:12), eu me entrego a ti cheia de chagas, para que em seus braços eu possa entrar não mais em atalhos incertos, mas sim, no atalho certo que me levará em direção áquela perfeição de união da alma com Deus, nosso Senhor, do mesmo modo como a Senhora fostes enquanto peregrinou nesta terra e subiu assunta ao Céu o que tornou crível a Ressurreição do Seu Filho e a natureza que Ele a revestira, sendo assim a mais bendita e gloriosa de receber a coroa eterna das virtudes e labores sobrenaturais que executastes por aqui. Esta é a festa santa para a alegria de todas as milícias, poderes e domínios — sua glória é real.
Contudo minha amorosíssima Mãe, peço-lhe que me ensine e me ajude a ser como tu fostes, um sempiterno sim a Deus para que ao seu encontro, vestida com o seu manto multicolorido esplendidamente bordado a ouro (Salmos 44) e ornada pela graça do Espírito Santo, sentada à direita de Cristo e na presença do Pai firmado no Trono Branco, eu possa estar. Crendo sempre que este é um bem que transcende infinitamente a minha condição humana e ele não é devido a nenhuma criatura, mas trata-se pelo contrário, de um dom gratuito que Deus dá a quem Ele quiser. Por isso, eis-me aqui minha Santa Mãe, com estas palavras pronunciadas conforme a minha capacidade e, com fé e amor, em tua graça, já que a minha mente é incapaz de se aprofundar mais do que isso, jogo-me em seus braços e faça de mim o que quiser, mesmo que tarde eu tenha te amado!
Com amor,
~ Marcella Azevedo



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